Grito,
berro,
arranho,
as têmporas,
na tentativa de fugir ao que o meu peito quer agarrar.
Este sentimento belo que pintas de preto, como se o meu amor fosse um sublime susto.
Escondo as palavras que te quero dizer, sobre um discurso racional que me causa um vazio no corpo todo,
tornando-me água.
Incolor.
Sem sabor.
Mas continuo a beber do teu veneno, que me mata a sede da paixão, mas mata-me a alma.
A paixão é somente dor, disseste-me tu um dia.
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Paz
Um poema que escrevi para uma pessoa especial, que é água e fogo, paixão e mistério
Gasta o coração
como o viajante
que gasta as solas dos sapatos.
Tu, que transbordas amor,
dá, saboreia, entrega.
Esgota o peito
até a respiração te doer.
Chora abraçada ao teu peito,
e cura-te nesse amor que não acaba.
Entrega-te à peça que ainda não foi criada,
à imagem que não existe ainda de ti.
Vai-te construindo,
pedra a pedra,
lágrima a lágrima.
Gasta o coração
como o viajante
que gasta as solas dos sapatos.
Tu, que transbordas amor,
dá, saboreia, entrega.
Esgota o peito
até a respiração te doer.
Chora abraçada ao teu peito,
e cura-te nesse amor que não acaba.
Entrega-te à peça que ainda não foi criada,
à imagem que não existe ainda de ti.
Vai-te construindo,
pedra a pedra,
lágrima a lágrima.
domingo, 11 de fevereiro de 2018
Tudo o que eu queria,
era que olhasses para mim
como olhas para os teus livros.
Que observasses a minha nuca,
enquanto estou de costas,
e apanho o cabelo,
como se interpretasses um poema.
E passasses as tuas mãos
pelas minhas coxas
como de papel elas fossem.
Mas,
desvias o olhar
e olhas para a lua,
esquecendo o meu nome
enquanto fitamos o vazio.
era que olhasses para mim
como olhas para os teus livros.
Que observasses a minha nuca,
enquanto estou de costas,
e apanho o cabelo,
como se interpretasses um poema.
E passasses as tuas mãos
pelas minhas coxas
como de papel elas fossem.
Mas,
desvias o olhar
e olhas para a lua,
esquecendo o meu nome
enquanto fitamos o vazio.
A metamorfose cega
Bem, há algum tempo que não escrevo aqui. Acho que tenho estado bastante ocupada, ou então considero isso uma boa desculpa. Mas a verdade, é que tenho estado mesmo ocupada. Claro que o caderno e a caneta andam sempre comigo, e continuo a escrever. Apenas perdi a vontade de tornar público aquilo que escrevo. O que é uma péssima ideia, porque o que escrevo poderia alimentar-me um dia, literalmente. Eu gostaria, pelo menos. As pessoas dizem que eu escrevo bem.
Porém, não sou criativa com as palavras. Tenho dificuldades em criar histórias, em criar alguma coisa com tanta palavra! Gosto de escrever o que fervilha dentro de mim e não pensar demasiado. Criar personagens parece algo tão difícil para mim. Ainda estou a sofrer com uma personagem que tive de abandonar, e acabei o livro há três semanas. Se me apego tão facilmente a personagens em livros, quanto mais a personagens que estão dentro de mim, criadas na minha cabeça e amadas pelo meu coração? Não sei se a minha sanidade duraria muito tempo. Já criei personagens, no entanto. Quando era criança. Escrevia muito, essencialmente histórias e contos. Baseava-me em desenhos animados que via, nos meus familiares, amigos, e muitas vezes, a uma ideia do que eu era. Mas eu era tão nova, sabia lá quem eu era. O eu nem existia. Tenho saudades dessa imaginação imensa. Estava sempre a sonhar acordada, e era uma criança tão visual! Eu via tudo. Conseguia imaginar-me a viver dentro do mar enquanto ia da escola para a casa da minha avó, a olhar para os meus pés.
A criança em mim está a morrer, lentamente. Continuo muito sonhadora. Mas só sonho com o real, com o verosímil, com o possível de acontecer. Já não existe magia no meu quotidiano. Aliás, eu nem sonho muito. Acordo e vivo o dia que se segue, seguindo sempre o pragmatismo, o útil, o que me deixa tranquila.
Felizmente, a minha extrema facilidade em sentir algo dá-me sempre novas sensações e emoções, que por consequência, me dão novas imagens, desejos diferentes, ambições e novas vontades.
A criança transforma-se, talvez. Uma metamorfose cega. Espero eu.
Porém, não sou criativa com as palavras. Tenho dificuldades em criar histórias, em criar alguma coisa com tanta palavra! Gosto de escrever o que fervilha dentro de mim e não pensar demasiado. Criar personagens parece algo tão difícil para mim. Ainda estou a sofrer com uma personagem que tive de abandonar, e acabei o livro há três semanas. Se me apego tão facilmente a personagens em livros, quanto mais a personagens que estão dentro de mim, criadas na minha cabeça e amadas pelo meu coração? Não sei se a minha sanidade duraria muito tempo. Já criei personagens, no entanto. Quando era criança. Escrevia muito, essencialmente histórias e contos. Baseava-me em desenhos animados que via, nos meus familiares, amigos, e muitas vezes, a uma ideia do que eu era. Mas eu era tão nova, sabia lá quem eu era. O eu nem existia. Tenho saudades dessa imaginação imensa. Estava sempre a sonhar acordada, e era uma criança tão visual! Eu via tudo. Conseguia imaginar-me a viver dentro do mar enquanto ia da escola para a casa da minha avó, a olhar para os meus pés.
A criança em mim está a morrer, lentamente. Continuo muito sonhadora. Mas só sonho com o real, com o verosímil, com o possível de acontecer. Já não existe magia no meu quotidiano. Aliás, eu nem sonho muito. Acordo e vivo o dia que se segue, seguindo sempre o pragmatismo, o útil, o que me deixa tranquila.
Felizmente, a minha extrema facilidade em sentir algo dá-me sempre novas sensações e emoções, que por consequência, me dão novas imagens, desejos diferentes, ambições e novas vontades.
A criança transforma-se, talvez. Uma metamorfose cega. Espero eu.
domingo, 1 de outubro de 2017
quero voltar àquele lugar onde tanto senti, tanto chorei e ri.
parece que lá finalmente acordei.
tudo se tornou claro, evidente e mutável.
sou outro ser, finalmente.
sempre desejei ser outra.
o segredo está naquelas paredes,
naqueles campos.
poderia escrever um poema pastoral,
que não chegaria para descrever a magia e o amor daqueles campos.
preciso de voltar a beijar aquele chão,
e sentir a relva molhada na palma dos pés.
abraçar corpos estranhos, e chorar sem razão nenhuma.
ai!
a saudade que se me abate no peito!
mas volto lá sempre.
através da música, dos cheiros, dos olhos, dos rostos,
que vivi, vi e ouvi.
de todas as milhares de sensações que aquele lugar me deu.
como esquecer?
como esquecer onde encontrei a felicidade? quando nela em nunca acreditei?
descobri,
que nada interessa,
apenas estas sensações e estas lágrimas.
parece que lá finalmente acordei.
tudo se tornou claro, evidente e mutável.
sou outro ser, finalmente.
sempre desejei ser outra.
o segredo está naquelas paredes,
naqueles campos.
poderia escrever um poema pastoral,
que não chegaria para descrever a magia e o amor daqueles campos.
preciso de voltar a beijar aquele chão,
e sentir a relva molhada na palma dos pés.
abraçar corpos estranhos, e chorar sem razão nenhuma.
ai!
a saudade que se me abate no peito!
mas volto lá sempre.
através da música, dos cheiros, dos olhos, dos rostos,
que vivi, vi e ouvi.
de todas as milhares de sensações que aquele lugar me deu.
como esquecer?
como esquecer onde encontrei a felicidade? quando nela em nunca acreditei?
descobri,
que nada interessa,
apenas estas sensações e estas lágrimas.
domingo, 24 de setembro de 2017
A poesia abandonou-me. Procuro-a nas árvores, nas folhas caídas, no som do vento e do mar. Encontro-a, mas não a sinto. Não lhe consigo tocar.
Já faz tempo que não choro só de olhar o mar.
Tenho saudade de sentir o simples milagre da vida, da existência, de ver tudo isto, de pensar que tudo isto existe, porque eu existo. Faz isto algum sentido?
Que sou eu?
Ando de lá para cá, tentando apaixonar-me por coisas simples, quando eu sou tão complicada e confusa? Que procuro eu, mesmo?
Outrora encontrei a felicidade, penso eu. Doía-me o peito, mas sorria tanto. Doía-me o peito de tanto amor ter dentro de mim. Para onde foi esse amor? Para onde foi toda a paixão? Ficou nos papéis em que tentei descrever e materializar todos os sentimentos que passaram por este corpo? Porque tento eu materializar tudo, querer por em palavras, o que não é descritível por elas? As palavras são tão limitadas, porém, tocam-me tanto, são-me tudo. Sem palavras, tudo é irreal.
Sem palavras, não existiria.
Nada existiria.
Já faz tempo que não choro só de olhar o mar.
Tenho saudade de sentir o simples milagre da vida, da existência, de ver tudo isto, de pensar que tudo isto existe, porque eu existo. Faz isto algum sentido?
Que sou eu?
Ando de lá para cá, tentando apaixonar-me por coisas simples, quando eu sou tão complicada e confusa? Que procuro eu, mesmo?
Outrora encontrei a felicidade, penso eu. Doía-me o peito, mas sorria tanto. Doía-me o peito de tanto amor ter dentro de mim. Para onde foi esse amor? Para onde foi toda a paixão? Ficou nos papéis em que tentei descrever e materializar todos os sentimentos que passaram por este corpo? Porque tento eu materializar tudo, querer por em palavras, o que não é descritível por elas? As palavras são tão limitadas, porém, tocam-me tanto, são-me tudo. Sem palavras, tudo é irreal.
Sem palavras, não existiria.
Nada existiria.
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