Como te dizer,
que os teus olhos gritam a minha salvação
contra à dor dos anos,
à dor da minha existência,
à agonia do meu ser.
Como te dizer,
que o som dos pássaros
são-me silêncio
à tua voz.
Como te dizer,
que o vidro da minha pele
se parte ao teu toque,
e deixo de pensar no nosso fim,
Apenas num amor sereno.
domingo, 6 de janeiro de 2019
Film Review: Roma de Alfonso Cuáron
Segue-se uma review que escrevi sobre o filme "Roma", de Alfonso Cuáron, espero que vos agrade:
I wrote a review about the movie "Roma" by Alfonso Cuáron, I hope it pleases you:
Roma, título que poderia ser interpretado como a palavra Amor ao contrário, por este estar tão ténue e simplesmente retratado, como numa pequena canção de embalar e numa sessão familiar no sofá. Um filme de extrema sensibilidade, em que vamos seguindo os pequenos gestos, os longos silêncios, a beleza da infância e a amargura constante através de uma cinematografia brilhante.
Um filme que quase parece um livro, ou até mesmo um poema, em que vamos lendo pormenorizadamente cada gesto, cada afecto. A pouco e pouco, as paisagens, as personagens e o enredo vão-se revelando, tenuemente, e vamos conhecendo a realidade de um México nos anos setenta.
Primeiro, é-nos apresentada a personagem Cleo, de uma ingenuidade e inocência tremendas, que trabalha como criada e ama numa família de classe média e alta neste México pobre, violento, e de tamanha desigualdade social. Estas afirmações vão-nos sendo demonstradas discretamente, como as casas degradadas, os cartazes políticos, as favelas, e até mesmo pela diferença entre Cleo e a família burguesa para qual esta trabalha. É ela que cuida, que mantém, que limpa uma casa que nunca poderá ser sua nem ter sequer uma casa que se assemelhe. Porém, neste seio familiar, Cleo vive num amor simples e subtil, quase escondido, como o pó nas teclas pretas de um piano. Tímida, calada mas com uma generosidade anormal, ela abraça estas crianças como suas fossem, cantando-lhes para adormecer, para acordar, e que, na verdade, vive quase somente para elas e para esta família.
Um filme que retrata a fragilidade da vida, como sendo algo extremamente natural na existência. Vemos isto através do sismo, que quase mata um bebé recém-nascido numa incubadora, no incêndio repentino durante uma festa, e numa das mais belas cenas do filme, em que Cleo entra no mar para salvar as crianças. Nesta cena, a câmara foca apenas Cleo, numa serena agonia por não saber nada, e em que se ouve somente o som das ondas e do mar, que poderiam engolir qualquer corpo em toda a sua fragilidade imutável. Num abraço conjunto e entre lágrimas, Cleo demonstra a sua vulnerabilidade mas também a sua coragem.
Além de tudo isto, devo também realçar um tema crucial neste filme: sobre as mulheres que moldaram Cuáron, pelas suas próprias palavras. A sua mãe e a sua ama. Duas mulheres abandonadas, sozinhas, que se unem por esta incontornável solidão: "Lembra-te, nós, mulheres estamos sempre sozinhas" diz a patroa à sua criada. Prestes a divorciar-se do pai dos seus filhos, que acaba por desaparecer quase por completo do enredo, a mãe tenta lidar com esta solidão irremediável, unindo os seus filhos a si. E, por outro lado, Cleo, que engravida de um homem que julgava que a amava, e, imersa numa ingenuidade, acaba também por ser abandonada e até desprezada.
Um filme autobiográfico, de uma extrema beleza, em que a câmara funciona como um observador silencioso e atento, com a intenção de retratar a doce infância, mas também toda a dor que esta carrega. Porém, o que retiro mais deste filme é, sem dúvida, um amor constantemente presente, apesar de toda a tristeza e amargura ubíquas. É magnífico.
EN
Roma, title that could be interpreted as the word "Amor" (Love) backwards, for this being so tenuous and simply depicted, as a short lullaby and in a family session by the sofa. A movie with an extreme sensibility, in which we follow the small gestures, the long silences, the beauty of infancy and the constant bitterness through a brilliant cinematography.
A movie that looks almost like a book, or even a poem, in which we read closely each gesture, each affection. Gently, bit by bit, the landscapes, the characters and the story are revealed, tenously, and we get to know the reality of Mexico during the seventies.
First, the character Cleo is presented, featured of tremendously naiveness and innocency. She works as a maid, servent and nanny in a high-middle class family in this poor, violent and with paramount social differences Mexico. This affirmations are discreetly showed, such as the degraded houses, the political posters, the favelas, and even in the differences between Cleo and the burgoise family for whom she works. She is the one who takes care, that maintains, that cleans a house that could never be hers or even a house that could be similar to this one. However, in this family, Cleo lives in a simple and subtle love, almost hidden, like the dust on the black keys of a piano. Shy, quiet and silent, but with an unusual generosity, she hugs these children like they were their own, singing for them to fall asleep, to wake up and, we could say, she almost lives for them and for this family.
A movie that depicts the fragility of life as being something extremely natural in existence. Through the earthquake, that almost kills a newborn in an incubator, a sudden fire during a festivity, and in one of the most beautiful scenes of the movie, in which Cleo goes into the sea to save the children. In this scene, the camera only focus Cleo, in a serene agony for not knowing how to swim, and in which only the sounds of the sea and the waves are listened, that could swallow any body in it's immutable fragility. In a united hug and between tears, Cleo shows her vulnerability but also her courage.
Besides all this, I must also enhance a crucial theme in this movie: about the women that shaped Cuáron, by is own words. His mother and his nanny. Two abandoned women, alone, that unite by this unavoidable solitude: "Remember, we, women are always alone", says the mistress to her maid. On the one had, almost getting divorced from the father of her children, that actually disappears almost from the entire story, the mother tries to handle with this irretrievable solitude, uniting her children to her. And, in the other hand, Cleo, that gets pregnant by a man that she thought that loved her, and, submerse in a naivity, ends up also abandoned and despise.
A self biography, of an extreme beauty, in which the camera works as a silent and attentive observer, with the intention of portraing the sweet infancy, but also with all the pain that it carries. However, what I take from this movie is, undoubtedly, a constant present love, besides all the ubiquitous sadness and bitterness. It's magnificent.
I wrote a review about the movie "Roma" by Alfonso Cuáron, I hope it pleases you:
Roma, título que poderia ser interpretado como a palavra Amor ao contrário, por este estar tão ténue e simplesmente retratado, como numa pequena canção de embalar e numa sessão familiar no sofá. Um filme de extrema sensibilidade, em que vamos seguindo os pequenos gestos, os longos silêncios, a beleza da infância e a amargura constante através de uma cinematografia brilhante.
Um filme que quase parece um livro, ou até mesmo um poema, em que vamos lendo pormenorizadamente cada gesto, cada afecto. A pouco e pouco, as paisagens, as personagens e o enredo vão-se revelando, tenuemente, e vamos conhecendo a realidade de um México nos anos setenta.
Primeiro, é-nos apresentada a personagem Cleo, de uma ingenuidade e inocência tremendas, que trabalha como criada e ama numa família de classe média e alta neste México pobre, violento, e de tamanha desigualdade social. Estas afirmações vão-nos sendo demonstradas discretamente, como as casas degradadas, os cartazes políticos, as favelas, e até mesmo pela diferença entre Cleo e a família burguesa para qual esta trabalha. É ela que cuida, que mantém, que limpa uma casa que nunca poderá ser sua nem ter sequer uma casa que se assemelhe. Porém, neste seio familiar, Cleo vive num amor simples e subtil, quase escondido, como o pó nas teclas pretas de um piano. Tímida, calada mas com uma generosidade anormal, ela abraça estas crianças como suas fossem, cantando-lhes para adormecer, para acordar, e que, na verdade, vive quase somente para elas e para esta família.
Um filme que retrata a fragilidade da vida, como sendo algo extremamente natural na existência. Vemos isto através do sismo, que quase mata um bebé recém-nascido numa incubadora, no incêndio repentino durante uma festa, e numa das mais belas cenas do filme, em que Cleo entra no mar para salvar as crianças. Nesta cena, a câmara foca apenas Cleo, numa serena agonia por não saber nada, e em que se ouve somente o som das ondas e do mar, que poderiam engolir qualquer corpo em toda a sua fragilidade imutável. Num abraço conjunto e entre lágrimas, Cleo demonstra a sua vulnerabilidade mas também a sua coragem.
Além de tudo isto, devo também realçar um tema crucial neste filme: sobre as mulheres que moldaram Cuáron, pelas suas próprias palavras. A sua mãe e a sua ama. Duas mulheres abandonadas, sozinhas, que se unem por esta incontornável solidão: "Lembra-te, nós, mulheres estamos sempre sozinhas" diz a patroa à sua criada. Prestes a divorciar-se do pai dos seus filhos, que acaba por desaparecer quase por completo do enredo, a mãe tenta lidar com esta solidão irremediável, unindo os seus filhos a si. E, por outro lado, Cleo, que engravida de um homem que julgava que a amava, e, imersa numa ingenuidade, acaba também por ser abandonada e até desprezada.
Um filme autobiográfico, de uma extrema beleza, em que a câmara funciona como um observador silencioso e atento, com a intenção de retratar a doce infância, mas também toda a dor que esta carrega. Porém, o que retiro mais deste filme é, sem dúvida, um amor constantemente presente, apesar de toda a tristeza e amargura ubíquas. É magnífico.
EN
Roma, title that could be interpreted as the word "Amor" (Love) backwards, for this being so tenuous and simply depicted, as a short lullaby and in a family session by the sofa. A movie with an extreme sensibility, in which we follow the small gestures, the long silences, the beauty of infancy and the constant bitterness through a brilliant cinematography.
A movie that looks almost like a book, or even a poem, in which we read closely each gesture, each affection. Gently, bit by bit, the landscapes, the characters and the story are revealed, tenously, and we get to know the reality of Mexico during the seventies.
First, the character Cleo is presented, featured of tremendously naiveness and innocency. She works as a maid, servent and nanny in a high-middle class family in this poor, violent and with paramount social differences Mexico. This affirmations are discreetly showed, such as the degraded houses, the political posters, the favelas, and even in the differences between Cleo and the burgoise family for whom she works. She is the one who takes care, that maintains, that cleans a house that could never be hers or even a house that could be similar to this one. However, in this family, Cleo lives in a simple and subtle love, almost hidden, like the dust on the black keys of a piano. Shy, quiet and silent, but with an unusual generosity, she hugs these children like they were their own, singing for them to fall asleep, to wake up and, we could say, she almost lives for them and for this family.
A movie that depicts the fragility of life as being something extremely natural in existence. Through the earthquake, that almost kills a newborn in an incubator, a sudden fire during a festivity, and in one of the most beautiful scenes of the movie, in which Cleo goes into the sea to save the children. In this scene, the camera only focus Cleo, in a serene agony for not knowing how to swim, and in which only the sounds of the sea and the waves are listened, that could swallow any body in it's immutable fragility. In a united hug and between tears, Cleo shows her vulnerability but also her courage.
Besides all this, I must also enhance a crucial theme in this movie: about the women that shaped Cuáron, by is own words. His mother and his nanny. Two abandoned women, alone, that unite by this unavoidable solitude: "Remember, we, women are always alone", says the mistress to her maid. On the one had, almost getting divorced from the father of her children, that actually disappears almost from the entire story, the mother tries to handle with this irretrievable solitude, uniting her children to her. And, in the other hand, Cleo, that gets pregnant by a man that she thought that loved her, and, submerse in a naivity, ends up also abandoned and despise.
A self biography, of an extreme beauty, in which the camera works as a silent and attentive observer, with the intention of portraing the sweet infancy, but also with all the pain that it carries. However, what I take from this movie is, undoubtedly, a constant present love, besides all the ubiquitous sadness and bitterness. It's magnificent.
sábado, 8 de setembro de 2018
Todos os meus gestos esperam que os vejas.
A fugacidade de toda a existência faz-me querer desejar-te mais.
O saber que vou desaparecer, que serei um dia pó, suscita-me uma tremenda vontade de beijar todos os poros das tuas costas. O teu mundo dá-me mais sede que a própria vida.
Procuro sensações que me vão destruir, no teu corpo, no teu cabelo, no teu cheiro.
Mas tu não existes.
O teu silêncio dói-me mais que vidro nos meus pés.
Voo, por entre linhas, em busca de um eu.
Um eu que não existe.
A fugacidade de toda a existência faz-me querer desejar-te mais.
O saber que vou desaparecer, que serei um dia pó, suscita-me uma tremenda vontade de beijar todos os poros das tuas costas. O teu mundo dá-me mais sede que a própria vida.
Procuro sensações que me vão destruir, no teu corpo, no teu cabelo, no teu cheiro.
Mas tu não existes.
O teu silêncio dói-me mais que vidro nos meus pés.
Voo, por entre linhas, em busca de um eu.
Um eu que não existe.
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Grito,
berro,
arranho,
as têmporas,
na tentativa de fugir ao que o meu peito quer agarrar.
Este sentimento belo que pintas de preto, como se o meu amor fosse um sublime susto.
Escondo as palavras que te quero dizer, sobre um discurso racional que me causa um vazio no corpo todo,
tornando-me água.
Incolor.
Sem sabor.
Mas continuo a beber do teu veneno, que me mata a sede da paixão, mas mata-me a alma.
A paixão é somente dor, disseste-me tu um dia.
berro,
arranho,
as têmporas,
na tentativa de fugir ao que o meu peito quer agarrar.
Este sentimento belo que pintas de preto, como se o meu amor fosse um sublime susto.
Escondo as palavras que te quero dizer, sobre um discurso racional que me causa um vazio no corpo todo,
tornando-me água.
Incolor.
Sem sabor.
Mas continuo a beber do teu veneno, que me mata a sede da paixão, mas mata-me a alma.
A paixão é somente dor, disseste-me tu um dia.
Paz
Um poema que escrevi para uma pessoa especial, que é água e fogo, paixão e mistério
Gasta o coração
como o viajante
que gasta as solas dos sapatos.
Tu, que transbordas amor,
dá, saboreia, entrega.
Esgota o peito
até a respiração te doer.
Chora abraçada ao teu peito,
e cura-te nesse amor que não acaba.
Entrega-te à peça que ainda não foi criada,
à imagem que não existe ainda de ti.
Vai-te construindo,
pedra a pedra,
lágrima a lágrima.
Gasta o coração
como o viajante
que gasta as solas dos sapatos.
Tu, que transbordas amor,
dá, saboreia, entrega.
Esgota o peito
até a respiração te doer.
Chora abraçada ao teu peito,
e cura-te nesse amor que não acaba.
Entrega-te à peça que ainda não foi criada,
à imagem que não existe ainda de ti.
Vai-te construindo,
pedra a pedra,
lágrima a lágrima.
domingo, 11 de fevereiro de 2018
Tudo o que eu queria,
era que olhasses para mim
como olhas para os teus livros.
Que observasses a minha nuca,
enquanto estou de costas,
e apanho o cabelo,
como se interpretasses um poema.
E passasses as tuas mãos
pelas minhas coxas
como de papel elas fossem.
Mas,
desvias o olhar
e olhas para a lua,
esquecendo o meu nome
enquanto fitamos o vazio.
era que olhasses para mim
como olhas para os teus livros.
Que observasses a minha nuca,
enquanto estou de costas,
e apanho o cabelo,
como se interpretasses um poema.
E passasses as tuas mãos
pelas minhas coxas
como de papel elas fossem.
Mas,
desvias o olhar
e olhas para a lua,
esquecendo o meu nome
enquanto fitamos o vazio.
A metamorfose cega
Bem, há algum tempo que não escrevo aqui. Acho que tenho estado bastante ocupada, ou então considero isso uma boa desculpa. Mas a verdade, é que tenho estado mesmo ocupada. Claro que o caderno e a caneta andam sempre comigo, e continuo a escrever. Apenas perdi a vontade de tornar público aquilo que escrevo. O que é uma péssima ideia, porque o que escrevo poderia alimentar-me um dia, literalmente. Eu gostaria, pelo menos. As pessoas dizem que eu escrevo bem.
Porém, não sou criativa com as palavras. Tenho dificuldades em criar histórias, em criar alguma coisa com tanta palavra! Gosto de escrever o que fervilha dentro de mim e não pensar demasiado. Criar personagens parece algo tão difícil para mim. Ainda estou a sofrer com uma personagem que tive de abandonar, e acabei o livro há três semanas. Se me apego tão facilmente a personagens em livros, quanto mais a personagens que estão dentro de mim, criadas na minha cabeça e amadas pelo meu coração? Não sei se a minha sanidade duraria muito tempo. Já criei personagens, no entanto. Quando era criança. Escrevia muito, essencialmente histórias e contos. Baseava-me em desenhos animados que via, nos meus familiares, amigos, e muitas vezes, a uma ideia do que eu era. Mas eu era tão nova, sabia lá quem eu era. O eu nem existia. Tenho saudades dessa imaginação imensa. Estava sempre a sonhar acordada, e era uma criança tão visual! Eu via tudo. Conseguia imaginar-me a viver dentro do mar enquanto ia da escola para a casa da minha avó, a olhar para os meus pés.
A criança em mim está a morrer, lentamente. Continuo muito sonhadora. Mas só sonho com o real, com o verosímil, com o possível de acontecer. Já não existe magia no meu quotidiano. Aliás, eu nem sonho muito. Acordo e vivo o dia que se segue, seguindo sempre o pragmatismo, o útil, o que me deixa tranquila.
Felizmente, a minha extrema facilidade em sentir algo dá-me sempre novas sensações e emoções, que por consequência, me dão novas imagens, desejos diferentes, ambições e novas vontades.
A criança transforma-se, talvez. Uma metamorfose cega. Espero eu.
Porém, não sou criativa com as palavras. Tenho dificuldades em criar histórias, em criar alguma coisa com tanta palavra! Gosto de escrever o que fervilha dentro de mim e não pensar demasiado. Criar personagens parece algo tão difícil para mim. Ainda estou a sofrer com uma personagem que tive de abandonar, e acabei o livro há três semanas. Se me apego tão facilmente a personagens em livros, quanto mais a personagens que estão dentro de mim, criadas na minha cabeça e amadas pelo meu coração? Não sei se a minha sanidade duraria muito tempo. Já criei personagens, no entanto. Quando era criança. Escrevia muito, essencialmente histórias e contos. Baseava-me em desenhos animados que via, nos meus familiares, amigos, e muitas vezes, a uma ideia do que eu era. Mas eu era tão nova, sabia lá quem eu era. O eu nem existia. Tenho saudades dessa imaginação imensa. Estava sempre a sonhar acordada, e era uma criança tão visual! Eu via tudo. Conseguia imaginar-me a viver dentro do mar enquanto ia da escola para a casa da minha avó, a olhar para os meus pés.
A criança em mim está a morrer, lentamente. Continuo muito sonhadora. Mas só sonho com o real, com o verosímil, com o possível de acontecer. Já não existe magia no meu quotidiano. Aliás, eu nem sonho muito. Acordo e vivo o dia que se segue, seguindo sempre o pragmatismo, o útil, o que me deixa tranquila.
Felizmente, a minha extrema facilidade em sentir algo dá-me sempre novas sensações e emoções, que por consequência, me dão novas imagens, desejos diferentes, ambições e novas vontades.
A criança transforma-se, talvez. Uma metamorfose cega. Espero eu.
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